quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Não quero ir para o céu, diz Lula!


Em discurso sobre a redução do desmatamento e dos incêndios florestais, proferido em 4 de setembro, Lula (PT) afirmou que não quer “ir para o céu” e declarou que pretende viver 120 anos para “ajudar a construir esse mundo”.

“Eu não tenho como saber se tem outro planeta. Eu estou tão pessimista que eu não quero nem ir para o céu. Eu quero viver 120 anos, então se alguém quiser ir para o céu no meu lugar, eu estou dando minha vaga. Eu estou aqui esperando, porque eu quero ajudar a construir esse mundo que somente nós poderemos construir.”, disse o chefe do Executivo.

Ao tratar da política para a Amazônia, Lula defendeu a integração da região ao restante do país e defendeu uma exploração que considerou “sustentável”, com reposição dos recursos e medidas de proteção. “É preciso drone, é preciso barco, é preciso caminhão. O que for necessário nós temos que ir fornecendo para que as pessoas tenham condições de ajudar o mundo a preservar a Floresta Amazônica.”, afirmou, de acordo com o Pleno News.

Em seguida, complementou: “Nós não somos daqueles que achamos que a Floresta Amazônica é um santuário da humanidade que não pode mexer numa folha, não. Nós achamos que ela tem que ser explorada de forma correta, responsável, tirando aquilo que a gente pode tirar, repondo aquilo que a gente tem que repor”.

A declaração de 4 de setembro retoma uma fala anterior, feita por Lula no encerramento do Fórum Econômico Brasil-França, em junho deste ano, quando também disse preferir permanecer na Terra: “Como eu acredito que existe céu, deve ser muito bom, maravilhoso, mas eu prefiro ficar aqui na Terra. Então, sinceramente, estou reivindicando a Deus que me deixa aqui, que eu tenho muita coisa para fazer”.

Fonte: Pleno News

terça-feira, 16 de setembro de 2025

É possível um cristão ser de esquerda?

Essa é uma pergunta que surge em nossos dias de maneira recorrente. Muitos que se dizem cristãos afirmam que é compatível seguir a Cristo e, ao mesmo tempo, abraçar uma ideologia de esquerda — seja ela socialista, comunista ou marxista. Mas será que isso é verdade? É possível harmonizar a fé cristã com essas cosmovisões?

A resposta, à luz das Escrituras e da história, é não. Vejamos os fundamentos:
1. A visão de mundo da esquerda é essencialmente materialista

O marxismo e suas vertentes partem da premissa de que a realidade é puramente material. Karl Marx dizia que a religião era o "ópio do povo", uma invenção para manter as massas sob controle. Logo, a própria raiz do pensamento de esquerda nega a existência de Deus, da transcendência e da verdade revelada.
A Bíblia, por sua vez, afirma desde o início:
"No princípio Deus criou os céus e a terra" (Gn 1.1).
Portanto, todo cristão crê que o fundamento último da realidade é Deus e não a matéria. O marxismo é ateu em sua essência; o cristianismo é teísta em sua base. As duas visões de mundo são inconciliáveis.

2. A esquerda prega a luta de classes; o cristianismo prega a reconciliação em Cristo
O pensamento marxista afirma que a história da humanidade é marcada pela luta entre opressores e oprimidos. A solução seria a revolução, a tomada do poder e a inversão das estruturas sociais.
Mas o evangelho não é sobre luta de classes, e sim sobre reconciliação. Paulo declara:
"Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus" (Gl 3.28).
A obra de Cristo derruba os muros que nos dividem. O cristianismo não propõe a destruição da sociedade pela revolução, mas a transformação do coração pelo novo nascimento (Jo 3.3).

3. A esquerda coloca o Estado como salvador; o cristianismo reconhece apenas Cristo como Senhor
Em regimes socialistas e comunistas, o Estado assume o papel de provedor supremo. É ele quem decide o que você pode ter, pensar e dizer. O Estado se torna uma espécie de deus terreno.
A Escritura, porém, afirma:
"O Senhor é o meu pastor; de nada terei falta" (Sl 23.1).
"A nossa cidadania está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o Salvador, o Senhor Jesus Cristo" (Fp 3.20).
Cristãos podem respeitar autoridades (Rm 13.1), mas jamais depositar sua esperança no Estado como se ele fosse o redentor da humanidade.

4. A esquerda destrói a família; o cristianismo a edifica
Marx e Engels afirmaram no Manifesto Comunista que a família tradicional deveria ser abolida, vista como uma instituição burguesa de opressão. Não por acaso, todos os regimes comunistas da história perseguiram a família, o casamento bíblico e a moral cristã.
A Palavra de Deus, porém, estabelece a família como célula fundamental da sociedade e como criação divina:
"Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne" (Gn 2.24).
Um cristão não pode apoiar um sistema que afronta a base do projeto de Deus para a humanidade.

5. A história confirma a incompatibilidade
Sempre que regimes comunistas ou socialistas se estabeleceram, o cristianismo foi perseguido. A União Soviética fechou igrejas e matou cristãos. A China comunista até hoje persegue fiéis. Cuba e Coreia do Norte reprimem a fé.
Se uma ideologia fosse realmente compatível com o evangelho, por que em todos os lugares onde foi aplicada houve perseguição feroz aos cristãos? A história confirma o que a Bíblia já nos mostra: "por seus frutos os conhecereis" (Mt 7.16).

Conclusão
Diante das Escrituras e da história, fica evidente: não é possível um cristão ser de esquerda em essência. Um verdadeiro seguidor de Cristo não pode alinhar-se com uma ideologia que nega a Deus, divide a sociedade em ódio de classes, coloca o Estado no lugar de Cristo, destrói a família e historicamente persegue a fé.
O chamado bíblico não é para confiar em utopias humanas, mas no Reino de Deus que já veio em Cristo e que se consumará em glória.
"Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas" (Mt 6.33).
O cristão deve ser sal e luz (Mt 5.13-14), e isso significa não se render a ideologias contrárias à Palavra, mas permanecer firme na verdade do evangelho.

Pr. Sandro Albino
Pastor Batista - OPBB 9199

domingo, 14 de setembro de 2025

A necessidade de um posicionamento eficaz da igreja cristã frente aos ataques do comunismo

Uma análise teológica e estratégica.
(
Foto: Unsplash/Jonathan Wells)

Introdução: Definindo o Campo de Batalha
A relação entre a Igreja Cristã e o comunismo constitui um dos grandes embates ideológicos dos séculos XX e XXI. Longe de ser uma mera disputa política, este conflito arraiga-se em cosmovisões antagônicas sobre a natureza do homem, a origem da dignidade, a estrutura da sociedade e a própria transcendência. Um posicionamento eclesial eficaz, portanto, não pode ser meramente reativo ou reduzido a um manifesto político-partidário.

Ele deve emergir de uma compreensão profunda das incompatibilidades doutrinárias, da memória histórica dos martírios sob regimes marxistas-leninistas e de uma estratégia positiva que articule uma antropologia robusta e uma prática social distintamente cristã. Argumenta-se que a resposta da Igreja deve ser tríplice:

1) apologética, confrontando os pressupostos materialistas;
2) profética, denunciando a opressão e defendendo a liberdade religiosa; e
3) diaconal, demonstrando na prática a superioridade da caridade e da subsidiaridade cristãs sobre o coletivismo estatal coercitivo.

1. O Núcleo do Conflito: Incompatibilidade de Fundamentos Antropológicos e Teleológicos
O primeiro e mais fundamental nível de embate é o filosófico-teológico. O comunismo, em sua expressão clássica marxista, assenta-se no materialismo dialético, que nega qualquer dimensão transcendente da realidade. O homem é produto exclusivo de relações materiais e econômicas, um homo economicus cuja consciência e cultura são meros reflexos de sua base material (superestrutura). Sua teleologia é imanente: a realização humana ocorre na utopia terrena de uma sociedade sem classes, alcançada através da luta de classes e da revolução.

A antropologia cristã, por sua vez, declara que o homem é Imago Dei (Imagem de Deus), portador de uma dignidade intrínseca e inalienável, derivada de seu Criador. A sua identidade não é reduzível às suas condições materiais; ele é um ser espiritual, moral e relacional, com um destino eterno que transcende a história. A teleologia cristã aponta para o Reino de Deus, uma realidade escatológica que se inaugura, mas não se esgota, na história.

Essa divergência radical torna o conflito inevitável. Para o Estado comunista, a lealdade última do indivíduo deve ser para com o coletivo (o Partido e o Estado). A Igreja, ao proclamar uma autoridade transcendente (Deus) e uma comunidade transnacional (o Corpo de Cristo), representa uma ameaça direta ao monopólio totalitário da lealdade.

A história demonstra isso eloquentemente, desde os mártires dos gulags soviéticos e das laogai chinesas até os padres perseguidos em Cuba e na Coreia do Norte. Um posicionamento eficaz da Igreja deve começar por desmascarar este reducionismo antropológico, afirmando com clareza que qualquer sistema que negue a dimensão espiritual do homem está, ipso facto, negando a plenitude de sua humanidade e abrindo caminho para a sua opressão.

2. Para Além da Crítica: A Resposta Profética e Diaconal da Igreja
Uma postura meramente crítica, no entanto, é insuficiente e pode cair no mesmo espírito de confronto que se pretende combater. A eficácia do posicionamento eclesial reside em sua capacidade de oferecer uma alternativa positiva e concretamente visível. Esta alternativa opera em duas frentes:

a) A Frente Profética: 
A Igreja é chamada a ser a voz dos que não têm voz (Provérbios 31:8-9), o que inclui denunciar as violações de liberdade religiosa, de consciência e de expressão perpetradas por regimes comunistas. Este não é um ato de intervenção política partidária, mas um cumprimento de sua missão divina. Significa advocacia internacional, documentação de perseguições e suporte pastoral às comunidades subterrâneas. A profecia, porém, também é dirigida internamente, alertando as sociedades livres sobre a erosão de valores que abrem espaço para ideologias totalitárias, como o secularismo agressivo e o relativismo moral que nega qualquer verdade absoluta.

b) A Frente Diaconal (de Serviço): 
O comunismo promete resolver a questão social através da estatização dos meios de produção e da imposição de uma igualdade material coerciva. A Igreja deve e pode demonstrar um caminho superior. A Doutrina Social da Igreja, com seus princípios de dignidade da pessoa humana, bem comum, subsidiariedade e solidariedade, oferece um modelo alternativo. A subsidiariedade, particularmente, é um antídoto direto ao coletivismo: ela defende que as questões devem ser resolvidas no nível mais local possível, empowering comunidades e indivíduos, em oposição à concentração de poder no Estado.

A Igreja eficaz é aquela que, através de suas escolas, hospitais, bancos de alimento e agências de caridade, demonstra uma caridade inteligente que promove a pessoa em sua integralidade, resgatando-a da miséria material sem roubar-lhe a agência e a dignidade. Este testemunho prático desarma a crítica marxista de que a religião é "o ópio do povo", mostrando-a, pelo contrário, como o fermento de uma verdadeira transformação social baseada no amor e no serviço, e não no ódio de classe e na revolução.

Considerações Finais: 
Por uma Estratégia de Resistência Cultural e Esperança Transcendente
Portanto, a necessidade de um posicionamento eficaz da Igreja frente ao comunismo é mais premente do que nunca. Este posicionamento, contudo, deve evitar as armadilhas do simplismo e do reacionarismo. Não se trata de abraçar uma agenda de direita ou de esquerda, mas de afirmar uma soberania que está além de todas elas: a soberania de Cristo sobre toda a criação.

A estratégia deve ser multifacetada: intelectual, para desafiar os pressupostos materialistas; profética, para defender a liberdade e denunciar a injustiça; e diaconal, para oferecer um modelo tangible de sociedade fraterna. Acima de tudo, a resposta da Igreja deve estar fundada na esperança escatológica.

Enquanto o comunismo oferece uma utopia terrena inevitavelmente falível e construída sobre cadáveres, a Igreja anuncia um Reino que já está presente, mas que se consumará além da história.

Esta esperança não é um refúgio piedoso, mas a fonte de uma resistência indestrutível, capaz de suportar a perseguição e de oferecer, mesmo perante a opressão, um testemunho de amor e verdade que nenhum aparato estatal jamais poderá silenciar completamente. A eficácia final da Igreja não reside em vencer uma batalha política, mas em permanecer fiel à sua identidade e missão, confiando que, no fim, a verdade de Cristo prevalece sobre todas as ideologias.

Daniel Santos Ramos (@profdanielramos) é professor, possui Licenciatura em Letras Português-Inglês (UNICV, 2024) e bacharelado em Teologia (PUC MINAS, 2013). Pós-graduado em Docência em Letras e Práticas Pedagógicas (FACULESTE, 2023). Mestre em Teologia (FAJE, 2015). Atualmente é colunista do Portal Guia-me, professor de Língua Portuguesa no Ensino de Jovens e Adultos (EJA) e Ensino Médio e de Língua Inglesa no Ensino Fundamental (ll) da SEE-MG, professor de Teologia no IETEB e professor de Português Instrumental do IE São Camilo. Escreveu dois livros, "Curso de Teologia: Vida com Propósito" (AMOB, 2023) e "Novo Curso de Teologia: Vida com Propósito (IETEB, 2025). Além de possuir mais de 20 anos de experiência na ministração da Palavra. É membro da Assembleia de Deus em Belo Horizonte (desde sempre), congrega no Templo Central.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

FONTE: GUIAME, DANIEL RAMOSATUALIZADO: QUINTA-FEIRA, 11 DE SETEMBRO DE 2025 14:52