Essa é uma pergunta que surge em nossos dias de maneira recorrente. Muitos que se dizem cristãos afirmam que é compatível seguir a Cristo e, ao mesmo tempo, abraçar uma ideologia de esquerda — seja ela socialista, comunista ou marxista. Mas será que isso é verdade? É possível harmonizar a fé cristã com essas cosmovisões?
A resposta, à luz das Escrituras e da história, é não. Vejamos os fundamentos:
1. A visão de mundo da esquerda é essencialmente materialista
O marxismo e suas vertentes partem da premissa de que a realidade é puramente material. Karl Marx dizia que a religião era o "ópio do povo", uma invenção para manter as massas sob controle. Logo, a própria raiz do pensamento de esquerda nega a existência de Deus, da transcendência e da verdade revelada.
A Bíblia, por sua vez, afirma desde o início:
"No princípio Deus criou os céus e a terra" (Gn 1.1).
Portanto, todo cristão crê que o fundamento último da realidade é Deus e não a matéria. O marxismo é ateu em sua essência; o cristianismo é teísta em sua base. As duas visões de mundo são inconciliáveis.
2. A esquerda prega a luta de classes; o cristianismo prega a reconciliação em Cristo
O pensamento marxista afirma que a história da humanidade é marcada pela luta entre opressores e oprimidos. A solução seria a revolução, a tomada do poder e a inversão das estruturas sociais.
Mas o evangelho não é sobre luta de classes, e sim sobre reconciliação. Paulo declara:
"Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus" (Gl 3.28).
A obra de Cristo derruba os muros que nos dividem. O cristianismo não propõe a destruição da sociedade pela revolução, mas a transformação do coração pelo novo nascimento (Jo 3.3).
3. A esquerda coloca o Estado como salvador; o cristianismo reconhece apenas Cristo como Senhor
Em regimes socialistas e comunistas, o Estado assume o papel de provedor supremo. É ele quem decide o que você pode ter, pensar e dizer. O Estado se torna uma espécie de deus terreno.
A Escritura, porém, afirma:
"O Senhor é o meu pastor; de nada terei falta" (Sl 23.1).
"A nossa cidadania está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o Salvador, o Senhor Jesus Cristo" (Fp 3.20).
Cristãos podem respeitar autoridades (Rm 13.1), mas jamais depositar sua esperança no Estado como se ele fosse o redentor da humanidade.
4. A esquerda destrói a família; o cristianismo a edifica
Marx e Engels afirmaram no Manifesto Comunista que a família tradicional deveria ser abolida, vista como uma instituição burguesa de opressão. Não por acaso, todos os regimes comunistas da história perseguiram a família, o casamento bíblico e a moral cristã.
A Palavra de Deus, porém, estabelece a família como célula fundamental da sociedade e como criação divina:
"Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne" (Gn 2.24).
Um cristão não pode apoiar um sistema que afronta a base do projeto de Deus para a humanidade.
5. A história confirma a incompatibilidade
Sempre que regimes comunistas ou socialistas se estabeleceram, o cristianismo foi perseguido. A União Soviética fechou igrejas e matou cristãos. A China comunista até hoje persegue fiéis. Cuba e Coreia do Norte reprimem a fé.
Se uma ideologia fosse realmente compatível com o evangelho, por que em todos os lugares onde foi aplicada houve perseguição feroz aos cristãos? A história confirma o que a Bíblia já nos mostra: "por seus frutos os conhecereis" (Mt 7.16).
Conclusão
Diante das Escrituras e da história, fica evidente: não é possível um cristão ser de esquerda em essência. Um verdadeiro seguidor de Cristo não pode alinhar-se com uma ideologia que nega a Deus, divide a sociedade em ódio de classes, coloca o Estado no lugar de Cristo, destrói a família e historicamente persegue a fé.
O chamado bíblico não é para confiar em utopias humanas, mas no Reino de Deus que já veio em Cristo e que se consumará em glória.
"Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas" (Mt 6.33).
O cristão deve ser sal e luz (Mt 5.13-14), e isso significa não se render a ideologias contrárias à Palavra, mas permanecer firme na verdade do evangelho.
Pr. Sandro Albino
Pastor Batista - OPBB 9199
Pastor Batista - OPBB 9199
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